Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

trabalho de português

 

Vida e obra de Florbela Espanca

Florbela de Alma da Conceição nasceu a 7 de Dezembro de 1894, em Vila Viçosa. A sua mãe chamava-se Antónia da Conceição Lobo e morreu algum tempo depois do parto. Foi baptizada como filha de pai incógnito e os seus avôs e avós eram também incógnitos. Teve uma infância sem falta de carinhos e a sua subsistência não foi ensombrada por insuficiências que atingem muitas das crianças que nascem em circunstâncias semelhantes.

Mais tarde, descobriu quem era o seu pai, este que não a deixou desprovida de amparo. Foi dele, João Maria, que recebeu o apelido de Espanca.

Ingressou no liceu de Évora. Num tempo em que poucas raparigas frequentavam estudos, e bonita como era, apesar de umas tantas vezes afirmar o contrário, punha à roda a cabeça dos colegas.

Não foi nesta altura que Florbela criou os primeiros poemas. Antes já os tinha escrito com erros de ortografia. Naturalmente infantis, mas avançados em relação à idade. De algum modo, prenunciavam o que viria depois.

Esta precocidade contrastava com algum desajustamento futuro, quando a sua escrita divergia dos conceitos de poesia dos grupos do "Orfeu", "Presença" e outras tendências do designado "Modernismo", e que emergiam como as grandes referências literárias da época, das quais Florbela pareceria arredada.

Inicialmente não tinha dificuldades económicas, como deixou a perceber. Explicadora, trabalhou ensinando francês, inglês e outras matérias. Mais tarde, com vinte dois anos, estudou Direito na Universidade de Lisboa.

Publicou vários poemas em jornais e revistas não propriamente dedicados à poesia, como Noticias de Évora e O Século ou de circulação local.

Editou os seus primeiros livros, Livro de Mágoas em 1919, e em 1923 Livro de Soror Saudade, onde incluiu grande parte da produção anterior.

Referia o seu Alentejo e os locais ligados às suas origens, e exaltava a Pátria em alguns poemas. Mas a sua escrita situou-se sobretudo no campo da paixão humana.

Contraiu matrimónio por três vezes. Do primeiro marido, Alberto Moutinho, usou o apelido em alguns escritos, nomeadamente correspondência. Do terceiro marido, Mário Lage, juntou o apelido à assinatura usual, nas traduções que efectuou. Do segundo, António Guimarães, não parece ter havido reminiscências explicitas nos escritos de Florbela, que lhe terá dedicado obra que publica como Livro de Soror Saudade, titulo diferente do projectado e esquecendo a dedicatória.

No último ano de vida elaborou um "Diário", onde deixou anotações até escassos dias antes do trágico fim.

A morte anunciada ao longo da sua escrita ocorreu pouco depois. Pôs fim à sua vida em 8 de Dezembro de 1930, dia em que fez 36 anos, em Matosinhos, onde vivia. Aí foi enterrada sendo mais tarde trasladada para a sua terra natal.

Florbela pode não ter sido a maior poetisa do seu tempo mas foi certamente uma das que mais agudamente e sem temor exprimiu as grandes contradições da sensibilidade feminina nas suas paixões. Ao mesmo tempo, com uma certa ingenuidade, impregnada das verdades simples ou complexas do que é a mulher, na convergência da cultura e do ser.


publicado por martinhateixeira às 15:00
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